Categoria: neuromarketing

Neuromarketing, como utilizar

Neuromarketing possibilita conhecer e avaliar as reações emocionais e espontâneas quando uma pessoa é exposta a estímulos.

Estímulos pode ser anúncios, marcas, produtos, sites, propagandas, entre outros estímulos.

A técnica vai além das pesquisas ‘convencionais’, onde apenas são respondidas questões e complementa a abordagem analítica com o instintivo e o emotivo, embasado em medições técnicas e científicas.

As reações dos consumidores podem ser percebidas por meio de equipamentos biométricos.

Tais equipamentos medem batimentos cardíacos, acompanham o movimento dos olhos, identificam expressões faciais, captam correntes elétricas da pele, entre outras reações corporais que nas metodologias convencionais não são perceptíveis.

Importante tentar mensurar tais reações pois elas podem influenciar de forma significativa na tomada de decisões

Na Checon são utilizadas diferentes técnicas de medição biométrica e tais recursos têm sido permanentemente incorporados ao escopo do nosso fornecimento, conforme os desenvolvimentos tecnológicos estejam se consolidando.

Dentre as técnicas, as principais são: eyetracking, análise facial, condução de eletricidade na pele e implicit testing.

  • Eye tracking – comparação homens e mulheres

    Eye tracking – comparação homens e mulheres

    Os homens são pervertidos, as mulheres são garimpeiras – eye tracking

    A Miratech e seus parceiros internacionais conduziram o primeiro estudo de caso internacional de rastreamento ocular para medir como homens e mulheres olham para a foto de uma jovem sexy.
    Conclusão: os homens olham para o peito da mulher e as mulheres olham para o anel.

    Miratech liderou um estudo de caso envolvendo homens e mulheres em proporções iguais, para um total de 210 participantes de 7 países:

    • França – Miratech
    • Dinamarca – Eyefact
    • Holanda – Concept7
    • Inglaterra – Bunnyfoot
    • Brasil Checon Pesquisa
    • Espanha – Université Pompeu Fabra
    • EUA – Laboratórios de Experiência do Cliente

    Alguns desses parceiros são membros da Parceria Internacional para Testes de Usabilidade – IUTP – uma rede dedicada a testes de usuários e pesquisas com consumidores. O IUTP é apoiado pela Tobii, o desenvolvedor líder mundial de equipamentos de rastreamento ocular.

    O teste foi conduzido individualmente. Cada participante foi simplesmente solicitado a olhar para a foto de uma jovem por 20 segundos, sem instruções específicas.

    Enquanto olhavam para a foto, os movimentos dos olhos foram medidos usando a tecnologia de rastreamento ocular.

    Miratech então compilou e analisou os resultados. Os resultados detalhados estão disponíveis em um white paper.

    Men_are_pervs.pdf (PDF 5,9 Mb)

    Diferenças entre homens e mulheres

    Em todos os países, existem algumas diferenças de comportamento entre homens e mulheres.

    1 – Os homens passam 37% mais tempo olhando para o peito do que as mulheres.

    Gazes at the chest

    Os homens são todos iguais

    2 – As mulheres passam 27% mais tempo olhando para o anel do que os homens.

    Gazes at the ring


    3 – As mulheres olham para a parte superior do rosto para identificar a jovem, enquanto os homens olham para os lábios.

    Gaze path over the face

    Comportamentos semelhantes entre países e gêneros

    Certos comportamentos são idênticos, independentemente do país ou sexo:

    1 – O rosto é a área mais vista

    2 – O tempo gasto olhando para a pélvis, mão direita e cabelo é idêntico para homens e mulheres

    Tous pays et sexes confondus, le visage est le plus regardé

    Para todos os países e sexos combinados, o rosto é o mais olhado

    Diferenças entre países

    Existem grandes diferenças de comportamento entre os países.

    1 – Dos grupos de mulheres, são as francesas que mais olham para o peito! Elas olham para o peito 2,7 vezes mais do que as mulheres inglesas, que vêm em último lugar nesse ranking específico.

    International ranking of the time the women spend looking at the chest

    Classificação internacional do tempo que as mulheres passam olhando para o peito

    2 – Os franceses e dinamarqueses passam a maior parte do tempo olhando para o peito – quase o dobro do tempo dos outros países!

    International ranking of the time the men spend looking at the chest

    Classificação internacional do tempo que os homens passam olhando para o peito

    3 – As mulheres inglesas são as mais materialistas: passam 149% mais tempo olhando o anel do que os homens ingleses e 2,2 vezes mais do que as francesas.

    International ranking of the time the women spend looking at the ring

    Classificação internacional do tempo que as mulheres passam olhando para o anel

    4 – A França é o país com menos diferença entre homens e mulheres. Os franceses são os que mais passam o tempo olhando para o peito. Os franceses passam apenas 9% mais tempo olhando para o peito do que as francesas.

    Os benefícios do eye tracking

    Depois de olharem para a foto, pedimos aos participantes que preenchessem um questionário para nos contar o que tinham visto.

    Ao responder ao questionário, foram os homens que mais mencionaram os olhos e o anel, mas foram as mulheres que mais os olharam.

    Esta é uma boa ilustração da diferença entre o que é auto-relatado (questionário) e o que é medido (rastreamento ocular). Com o rastreamento ocular, é possível medir comportamentos que são impossíveis de revelar usando métodos convencionais de pesquisa.

    Conclusão

    A Miratech e seus parceiros internacionais conduziram o primeiro estudo de caso internacional de rastreamento ocular para medir como homens e mulheres olham para a foto de uma jovem de aparência provocante.

    Conclusão: os homens são pervertidos e as mulheres são garimpeiras.

    Os resultados detalhados estão disponíveis em um white paper: Men_are_pervs.pdf (PDF 5,9 Mb)

    Novidades: A Miratech conquistou o Primeiro Prêmio do evento Be-UX Paris pela criação do Wonder.Legal, um site para geração de contratos e cartas de forma simples.

  • Perspectivas para o uso das expressões faciais

    Perspectivas para o uso das expressões faciais

    Expressões Faciais

    O rosto humano (expressões faciais) consiste de um vasto panorama em constante movimento do que se passa no nosso mais íntimo estado de espírito, com uma diversidade considerável de nuances e uma grande complexidade.

    Desde sempre a humanidade vem desenvolvendo, de forma natural, a capacidade de compreender as expressões faciais dos demais, no início como estratégia de sobrevivência (amigo/inimigo), e atualmente visando relacionamentos de todos os tipos.

    Apenas com base na sensibilidade e na intuição, todos nós passamos uma parte considerável do tempo interpretando, analisando e reagindo aos sinais perceptíveis das expressões faciais dos chefes, dos cônjuges, dos professores, dos parceiros, dos colegas de trabalho, de estranhos, dos parentes, etc.

    Com a tecnologia e a capacidade de processamento de dados cada vez maior, o rosto de cada um de nós e as informações que são transmitidas espontaneamente já há algum tempo deixaram de ser apenas a forma como nos apresentamos, nos relacionamos ou nos comportamos em público.

    Longe de somente sinalizarem o nosso estado de espírito momentâneo ou a nossa reação às situações, às pessoas ou aos fatos, todo esse conjunto de dados tem sido, cada vez mais, tratado como algo estratégico e objeto de estudos intensos.

    O emprego da análise das expressões faciais não para de crescer, seja com a Apple utilizando para destravar o i-phone, em igrejas nos Estados Unidos tentando atrair fieis, na Inglaterra identificando responsáveis por furtos em lojas, com a polícia no país de Gales prendendo suspeitos em jogos de futebol, na China identificando motoristas indisciplinados, permitindo acesso de turistas a determinadas atrações, entre outros.

    Na área médica algumas aplicações são bastante promissoras, como o diagnóstico precoce de doenças genéticas como a síndrome de Hajdu-Cheney, em esperançosas tentativas de tratamento do autismo, em determinar se uma pessoa está com depressão ou mesmo se uma dor é real ou psicológica.

    Todas essas novidades têm suscitado discussões acaloradas com relação à invasão (ou não) de privacidade, visto que, por exemplo, a identificação de preferências sexuais alcançou 81% de acerto pelo algoritmo, enquanto as pessoas (sem o recurso) em 61% das vezes fizeram essa identificação correta.

    Existiria, portanto, um potencial risco de discriminação por parte das empresas, por exemplo, no recrutamento de funcionários, tanto que os legisladores de alguns países na Europa já se movem no sentido de considerar os dados biométricos como informações pertencentes às próprias pessoas e não algo de domínio público.

    Mas, voltando aos tipos de aplicações que nos interessariam, o fato é que as expressões faciais, na maior parte das vezes, comunicam mais e melhor do que as palavras, seja por serem espontâneas, sinceras, naturais, por refletirem o real sentimento ou emoção, e acima de tudo por não serem racionais.

    Trata-se assim de um recurso importante a ser empregado de forma complementar às demais técnicas existentes na neurociência e na pesquisa de mercado, de modo a compreender aquilo que as pessoas não sabem, não conseguem ou talvez não queiram verbalizar.

    Paul Ekman foi o pioneiro na análise das expressões faciais com as suas pesquisas ainda nos anos 60. Dentre as suas maiores contribuições destaca-se a comprovação da existência de no mínimo 6 emoções humanas, passíveis de serem identificadas independentemente de gênero, da idade ou mesmo da cultura.

    Esse estudo resultou na decodificação dessas emoções em combinações distintas de 46 tipos de movimentos faciais que possibilitavam aplicações distintas desde animações até detector de mentiras.

    Com o avanço da tecnologia e a maior capacidade de processamento das informações, os usos desse conhecimento têm se expandido consideravelmente. Basicamente o algoritmo consiste em mensurar as movimentações de uma série de pontos virtualmente criados no rosto do participante em relação a outros pontos fixos.

    Assim, a posição da boca, lábios, bochechas, sobrancelhas, pálpebras, rugas etc. são constantemente comparados com outros pontos (como a ponta do nariz, do queixo), com o padrão da expressão facial de cada um e também com uma tabela de referência, possibilitando a identificação de emoções como alegria, confusão, frustração, surpresa, medo, raiva, nojo, etc.

    Em estudos que a Checon já tem realizado é possível avaliar o quanto determinado comercial agrada (ou não), em que intensidade esse envolvimento é positivo (ou não), em que trechos do comercial são necessários ajustes ou reforços, tudo sem sequer perguntar aos participantes, sempre de forma clara, objetiva, passível de ser compreendido até por quem sequer seja da área de neuro ou de pesquisa.

    Os mesmos tipos de conclusões são possíveis na avaliação das reações das pessoas a um discurso político, de modo a compreender se existe entendimento ou engajamento, quais as passagens carentes de maior clareza, se existe aprovação, aceitação, sempre de forma não invasiva, sem nem sequer interagir diretamente com os participantes.

    Em trabalhos sobre usabilidade de sites, as dificuldades na realização de determinadas tarefas ficam evidentes com as expressões faciais negativas, ou com demonstrações de raiva, dúvida, de insatisfação ou de frustração, mesmo que não admitidas no testemunho ‘racional’ dos participantes.

    Outro uso bastante interessante das expressões faciais consiste na análise das reações dos consumidores frente às vitrines das lojas, possibilitando a identificação do impacto causado, dos pontos fortes e fracos de cada opção, até mesmo da capacidade de atração enquanto ‘convite’ às pessoas para o interior do estabelecimento.

    Isso sem falar da indústria alimentícia analisando as expressões faciais em testes de degustação ou de preferência entre produtos em testes cegos, ou em bancos avaliando as reações frentes a caixas eletrônicos, ou montadoras avaliando o comportamento dos motoristas dirigindo ou identificando sinais de sonolência ao volante.

    As micro expressões oferecem uma valiosa contribuição na avaliação da tomada de decisões podendo prever se determinada compra se realizará (algo que um flash de desgosto pode desmentir), ou se determinado preço é adequado (algo que uma expressão de alegria pode confirmar e uma de raiva pode desmentir).

    Uma vez que na maior parte das vezes essas micro expressões sequer são percebidas pelos próprios participantes, por serem reações espontâneas, se constituem em preditores mais confiáveis do que as resposta (muitas vezes) politicamente corretas (não pouco frequente) que comprometem muitas das previsões de vendas.

    A escolha de um candidato e a intenção de voto também se enquadram perfeitamente nessa avaliação da tomada de decisões de forma aparentemente mais confiável do que a mera declaração racional dos eleitores.

    Existem dados impressionantes quanto ao acerto das intenções do voto dos eleitores americanos na eleição presidencial de 2010, apenas com base nas expressões faciais coletadas no debate Obama & Romney que alcançaram 73% de confirmação, isso sem fazer nenhuma pergunta.

     

     

    Maiores informações:        The Economist – What machines can tell from your face

    The New Yorker – We know how you feel

    Paul Eckman – Facial Action Coding System

  • Lealdade à marca e o neuromarketing

    Lealdade à marca e o neuromarketing

    O significado e a abrangência do que seja ‘ lealdade ’ têm passado por consideráveis mudanças, a exemplo da maior parte das ideias e premissas com que estávamos acostumados com o advento da era digital.

    Várias vozes inclusive até advogam o fim da busca pela ‘lealdade’ à marca pelos mais variados motivos, sejam os altos investimentos realizados sem o esperado retorno, a ineficiência dos programas em assegurarem vendas crescentes, etc.

    Até recentemente, o entendimento do que fosse fidelidade se satisfazia, ou se restringia, a uma mera repetição das compras, se possível, de forma constante e na maior frequência possível, e ponto final.

    A ideia era quase que unicamente centrada e restrita ao transacional, como nos programas de fidelização onde a cada 9 compras o consumidor ganharia o 10º produto de graça, ou nos cupons de descontos.

    Em princípio ambos os lados (marcas & consumidores) estariam satisfeitos e preparados para darem início a um novo ciclo, nas mesmas bases, com o mesmo formato, em uma repetição sem muita diferenciação.

    A verdade é que o conceito de ‘lealdade’ na era digital vem ganhando diferentes conotações e um entendimento bem mais abrangente, algo que passou a exigir das marcas uma resposta diferenciada .

    Na era digital, a ideia de ‘lealdade’ passou a abarcar diferentes conotações que em muito se diferem dos objetivos buscados na época onde a relação da marca com o consumidor se dava fundamentalmente com a presença física.

    Agora não mais! São crescentes os sinais de que os consumidores não se mostram mais completamente satisfeitos com as soluções do modelo antigo e indicam uma expectativa crescente por algo mais, além do transacional .

    Cada vez mais a ‘lealdade’ tem sido associada pelos consumidores às marcas proporcionarem uma experiência marcante, de uma maneira consistente ao longo do tempo e, acima de tudo, adicionando mais valor ao relacionamento.

    Mas como ‘entregar’ para o consumidor uma experiência melhor? Quais os fatores a serem observados pelas marcas para essa entrega corresponder às novas expectativas e se materializarem na ‘lealdade’ buscada?

    A ideia é ir além das transações e criar nos consumidores posturas e comportamentos como: os ‘advogados’ da marca, os ‘apaixonados’ pela marca e os ‘promotores’ da marca.

    Tratam-se dos consumidores que defendam, divulguam e promovem a marca para conhecidos, para colegas de trabalho, para familiares e (principalmente) nas redes sociais.

    Tratam-se de consumidores que, em retribuição à experiência recebida, em reconhecimento ao produto ou serviço adquirido, espontaneamente passam a elogiar, propagar e comentar positivamente sobre a marca.

    Ou seja, essa ainda nova ‘lealdade’ existe e é alcançada quando os consumidores vão além das meras compras e naturalmente partem para uma postura ativa, com ações concretas e espontâneas voltadas à marca.

    Diferentemente do efeito convencional do ‘um-a-um’, o que passa a existir é o ‘um-a-centenas’, ‘milhares’, quiçá até ‘milhões’, dado o efeito exponencial que as redes sociais acarretam.

    Basicamente são três os aspectos a serem buscados pelas marcas para proporcionar aos consumidores uma experiência melhor e mais marcante: relevância, utilidade e propósito.

    A relevância está relacionada com o conhecimento pelas marcas da jornada do consumidor, em facilitar a tomada de decisões dessas pessoas e em oferecer o que já é sabido ser do interesse deles, tendo como plataforma o big data.

    É o caso da Amazon ou da Netflix sugerindo novos produtos com base nas suas preferências anteriores, ou a partir do que um grande número de pessoas também já está escolhendo nesse momento.

    Os exemplos não param aí, se estendem também para o Booking.com, para o Airbnb, para o i-food, para o Uber, para as publicações internacionais, entre tantas outras marcas ativas e já atuando de acordo com esse novo modelo.

    Proporcionar experiências simples e coerentes com o histórico de cada um, que facilitem a escolha para o consumidor, ‘perdido’ entre múltiplas opções, é um importante estímulo ao crescimento das vendas e consolida a ‘lealdade’.

    A utilidade consiste na utilização dos recursos que o meio digital proporciona para que a experiência do consumidor seja não apenas interessante, mas também mais fácil, mais agradável, que resolva problemas e elimine dificuldades.

    As experiências que alcançam tais objetivos agregam valor, fidelizam clientes e ainda podem ser divertidas, como o aplicativo da ASOS que a partir de fotos identifica peças de roupa similares ao gosto do cliente, ou possibilita que as roupas sejam experimentadas em casa sem custos.

    Ou como já ocorrem em determinados hotéis, onde é possível ao hospede do seu quarto conferir a conta via web, autorizar o débito e não ser mais necessário passar pela fila do check out, combinando simplicidade com facilidade.

    Os exemplos se multiplicam com os cartões de embarque nos celulares, quartos de hotel que dispensam o uso de chaves ou check in, botões de funcionalidade que já selecionam a última opção de pizza pedida, agilizando o processo, etc.

    O propósito se refere a como as marcas expõem e divulgam o que são, pensam, valorizam. Ainda que muitas iniciativas antecedam a era digital, com os recursos atuais tais ações ganharam muito em visibilidade e na sua repercussão.

    O objetivo é fortalecer a relação, reforçando valores e criando uma identificação do consumidor com esses ideais, como a justificar a aquisição desses produtos, estimulando a se sentirem pessoas melhores e contribuindo para causas dignas.

    Caso da Patagônia e o consumo responsável ou a reciclagem das peças usadas, da Airbnb com um programa especial para atender pessoas vítimas de desastres naturais como no furacão na Flórida, da Adidas com o Team Messi (Twitter, Facebook ou Instagram), onde 94% dos participantes eram novos para a marca e atualmente têm um gasto médio de 10 euros no e-commerce.

    Porém, como quase tudo, trata-se de uma faca de dois gumes. O acerto na estratégia pode levar as marcas às alturas e com muito mais ‘lealdade’, mas, por outro lado, o erro pode implicar na perda do consumidor, na descaracterização da marca e em um reducionismo, de volta ao transacional.

    O desafio então para a pesquisa consiste em como mensurar o tipo, a qualidade e a intensidade da experiência proporcionada ao consumidor. Como avaliar se a experiência causou impacto e se tal se transmuta em compras futuras?

    Ainda que algumas respostas possam advir das técnicas convencionais da pesquisa de mercado, é claro que existem limitações e a carência por mais respostas.

    As escalas de opções como: ‘sim & não’ ou ‘bom & regular & péssimo’ não são as métricas mais adequadas, não possibilitam avanços maiores para a avaliação das experiências, ainda que se constituam em ponto de partida relevante.

    O neuromarketing, em conjunto com a pesquisa convencional, já dispõe de técnicas e ferramentas para avaliar com mais profundidade a maior parte dessas questões.

    Ao final, as respostas buscadas consistem na avaliação das reações causadas pelas experiências, em que ponto foram impactantes, onde se diferenciaram da concorrência, e em que medida se constituíram em efeitos permanentes.

    As respostas com o neuromarketing são mais apropriadas por não se basearem no ‘racional’ ou no ‘declarativo’, mas no ‘emocional’ e nas ‘reações’, espontâneas e instintivas das pessoas a esses estímulos & experiências.

    Tratando-se, portanto, de métricas bem mais sensíveis e críveis, seja pela precisão dos recursos técnicos empregados, como pela notória incapacidade da maior parte das pessoas em descrever precisamente os sentimentos ou emoções

    A verdade é que muitos de nós sequer sabemos interpretar adequadamente essas emoções, quiçá descrevê-las ou coloca-las em números, razão pela qual o neuromarketing pode e deve ser uma solução a ser empregada com uma frequência crescente.

     

     

    maiores informações:

    Amy Brown, Rethinking ‘loyalty’ in the age of digital, Admap, November 2017

     

  • Gosto & Não Gosto em Publicidade

    Gosto & Não Gosto em Publicidade

    Quase sempre me pareceu um considerável exagero a expectativa de que as campanhas publicitárias deveriam fazer com que as pessoas se apaixonassem pelas marcas, produtos ou serviços.

    Mesmo em se tratando de empresas admiradas e inspiradoras como Apple, Coca Cola, Google ou Microsoft ou produtos como Nespresso, i-phone, talvez seja um pouco demais falar em ‘amor’ do consumidor por marcas ou produtos.

    Na minha opinião, uma propaganda alcançar o objetivo de fazer uma pessoa ‘gostar’ de uma marca, produto ou serviço já se constitui em um desafio considerável, ainda mais pensando em itens como: papel higiênico, pasta de dente, bancos, seguros, telefonia celular etc.

    Dessa forma, a avaliação do ‘gosto & não gosto’ – ‘likability’ – consiste em algo mais realista, mais plausível e mais lógico, se pensarmos em termos de conquistar o público-alvo através da propaganda.

    No mercado existem diferentes estudos sobre o tema, alguns inclusive da ARF – Advertising Research Foundation, enaltecendo o potencial preditivo da ‘likability’, enquanto outros já são menos enfáticos e até mesmo céticos.

    A forma como o ‘gosto & não gosto’ tem sido mensurado nas pesquisas convencionais, na maior parte das vezes, se baseia em duas formulações clássicas: ‘gostou da propaganda que assistiu?’ e ‘gostaria de assistir de novo?’

    Importante observar que ambas as apurações usuais dessa ‘likability’ se dão com base no declaratório e no racional das pessoas, independentemente de tratarem-se de abordagens qualitativas ou quantitativas.

    Longe de afirmar serem inválidos os resultados apurados nesses formatos, o ponto que merece ser discutido é em que medida tal avaliação seria suficientemente correta ou adequada para uma avaliação de propagandas.

    Um ponto a ser atentado nesse critério ‘tradicional’ consiste no risco das respostas dos entrevistados (ou participantes) serem contaminadas pelo ‘politicamente correto’.

    O formato também não possibilita uma métrica mais refinada em termos de precisão, tendendo a polarizar entre os dois extremos (‘gostar’ e ‘não gostar’) o que, de certa forma, dificulta a identificação dos ajustes necessários ou mesmo as comparações com os concorrentes.

    Por outro lado, quando avaliamos as possibilidades existentes de se mensurar o mesmo ‘gosto & não gosto’ das propagandas com os recursos do neuromarketing, as opções se apresentam com bem mais abundantes.

    Inicialmente caberia destacar a multiplicidade das técnicas de medição disponíveis e capazes de atender plenamente tais expectativas, certamente com resultados melhores.

    As técnicas vão desde a avaliação das expressões faciais dos participantes, passando pela corrente de pele, pela dilatação das pupilas, pela EEG (eletroencefalografia), entre outras.

    Cada uma das técnicas oferecendo resultados mais precisos, e principalmente bem mais sensíveis às reações dos participantes, em escalas e frequências que possibilitam uma compreensão mais apurada dos impactos.

    Diferentemente da pesquisa convencional, o padrão de coleta com essas técnicas possibilita uma avaliação da propaganda, segundo a segundo, o que facilita a identificação das intervenções e das correções de maneira mais precisa

    Além disso, a análise dos resultados também com o eye tracking torna evidente em que medida todos os elementos do comercial foram (ou não) percebidos pelos participantes.

    Trata-se de uma constatação importante na medida em que possibilita conhecer quais elementos estariam influenciando a ‘likability’ e aqueles que ainda necessitam de destaque, seja para a mensagem, para a própria marca ou para o contexto.

    O ponto principal a ser enaltecido seria a grande confiabilidade dos resultados apurados pelo simples fato de se tratarem de medições biométricas totalmente espontâneas, não passíveis de interpretações ou racionalizações.

    O formato numérico dos resultados dessas técnicas se constitui em outro diferencial relevante na medida em que são acessíveis e compreendidos por todos, independentemente do conhecimento técnico.

    Diferentemente da pesquisa convencional, onde o diagnóstico da ‘likability’ poderia ser interpretado como uma ‘aprovação’ ou uma ‘sentença de morte’, com o neuromarketing é possível o aprimoramento e a construção de uma solução.

    Vencidos os esperados receios iniciais quanto à novidade da abordagem, e superada a barreira da desconfiança entre a agência (criação) e a pesquisa (analista), é de se esperar que uma nova relação de trabalho possa ser construída.

    Relação essa de parceria, com um uso bem mais intensivo dessas técnicas de pesquisa, não somente com a campanha concluída, mas desde a sua criação, de maneira que os passos possam ser testados já no nascedouro.

    Importante ressaltar que tal processo de cooperação entre a agência de publicidade e a empresa de pesquisa de forma nenhuma implicaria em qualquer interferência no processo de criação em si.

    Mesmo porque, é claro que falta essa competência para os especialistas em pesquisa, mas é provável que um trabalho conjunto e com mais proximidade entre as partes certamente traga como resultado campanhas mais eficazes.

     

     

    maiores informações:

    Faris Yakob, Being well liked

  • Diferença entre neurociência e neuromarketing

    Diferença entre neurociência e neuromarketing

    A importância da prática (com contexto) para a compreensão dos resultados teóricos

    Mesmo para pessoas que já atuam na área, nem sempre são muito claras as diferenças entre a abrangência, o escopo e o significado de neurociência e de neuromarketing.

    Gostaria de comentar sobre uma apresentação realizada no último congresso de neuromarketing, ocorrido em março de 2017 em Londres e organizado pela NMSBA – Neuromarketing Science and Business Association.

    Ainda que as contribuições específicas de cada área (da ‘neurociência’ e do ‘neuromarketing’) possam ser complementares, é fundamental que as limitações às suas respectivas aplicações sejam previamente conhecidas e atentadas enquanto recursos para o suporte à tomada de decisões empresariais.

    Sem a pretensão de aprofundar uma discussão técnica ou teórica, me permito exemplificar a diferença, de forma bastante prática, com um caso real que demonstra o quanto ambas as áreas são distintas.

    Caso real

    O caso versou sobre um fabricante de chá alemão que desejava mudar e também rejuvenescer a sua embalagem já bem tradicional, visto tratar-se de uma empresa com mais de 80 anos de atuação no mercado.

    Duas novas propostas de embalagens foram inicialmente desenvolvidas por uma agência especializada de design e aprovadas previamente pela equipe de marketing do próprio fabricante de chá.

    De modo a respaldar a escolha da embalagem mais adequada e minorar possíveis riscos, a diretoria gostaria que tal decisão, pela sua importância, fosse embasada também pelas mais modernas técnicas existentes no mercado.

    Assim sendo, foi contratada uma empresa especializada em neurociência, com acesso aos equipamentos e aos recursos mais adequados para essa avaliação, inclusive comparando os resultados com a própria embalagem atual.

    A expectativa do fabricante era que, com a neurociência, fosse possível optar pela alternativa de embalagem mais apropriada e capaz de agregar diferentes atributos do novo posicionamento buscado, respaldado no que fosse mais cientificamente pertinente.

    Dentre os diferentes atributos buscados na embalagem constavam o rejuvenescimento da marca, a modernidade, a inovação, mas sem abrir mão das demais associações já existentes e incorporadas ao produto e à marca ao longo do tempo pelos consumidores.

    Os resultados

    As diferentes embalagens foram avaliadas e comparadas de formas explícita e implícita, inclusive com a utilização de ressonância magnética (fMRI), sendo os resultados bastante claros quanto a uma das novas opções ter um destaque maior, coincidindo com a escolha da própria equipe de marketing.

    Tal situação, consequentemente, gerou uma considerável confiança quanto à escolha mais adequada a ser feita, visto os resultados apontarem também científica e tecnicamente para a mesma solução.

    Importante ter em mente que, muitas vezes nas técnicas ‘convencionais’, como por exemplo na pesquisa qualitativa e na quantitativa, não são raras as situações onde os resultados são de certa forma conflitantes, demandando uma interpretação mais subjetiva, o que agrega incerteza aos tomadores de decisão e à agência de pesquisa.

    Nesse caso, decisão tomada, nova embalagem aprovada, investimentos realizados, produtos dispostos nas prateleiras dos supermercados e uma grande expectativa pelos resultados.

    A surpresa

    Para surpresa e perplexidade geral, o que se observava eram quedas inesperadas e inexplicáveis nas vendas, algo a se repetir mês após mês, mesmo após todo o investimento feito e a certeza inicial quanto à escolha realizada.

    Desespero ainda maior dos gestores, sem saber ao certo o que fazer agora, mas de qualquer forma cientes da necessidade de melhor entender o que teria acarretado o fracasso nas vendas.

    Foi decidida assim a contratação de uma nova empresa, no caso uma agência especializada em neuromarketing, inicialmente para revisar todo o processo de avaliação das embalagens já realizado.

    A nova avaliação

    Não restando dúvidas quanto ao processo, foi então colocada em prática uma avaliação do contexto e do processo de aquisição do chá, com a observação de como as compras do produto ocorrem normalmente nos supermercados, um dos canais mais relevantes de distribuição.

    A filmagem e a gravação de uma mulher, jovem – menos de 35 anos, trabalhadora em período integral, mãe de 2 crianças pequenas, fazendo compras em um supermercado acompanhada dos filhos pequenos foi particularmente decisivo para a compreensão do problema.

    A imagem de crianças irritadas com a situação pouco atraente, a consumidora com pouquíssimo tempo para a escolha dos produtos, sem a ‘desejada’ ou ‘idealizada’ reflexão frente às gondolas para uma escolha racional dos produtos foram elementos bem familiares à maioria que ajudaram a compreender a razão das vendas baixas.

    Ficou claro que decisão da consumidora, quanto à escolha das marcas dos diferentes produtos da lista de compras, quase sempre era tomada em questão de milissegundos, aparentemente tendo em mente o objetivo da realização dessa tarefa no menor prazo possível.

    A familiaridade

    Um dos aspectos cruciais observados no processo de compras foi a importância da ‘familiaridade’ do consumidor com o produto, mais especificamente nesse caso em análise da sua embalagem.

    Observou-se que essa ‘familiaridade’ se dava pelo reconhecimento da marca do fabricante, das suas cores típicas, da logomarca, ou seja, pelo aspecto visual da própria embalagem já bastante conhecida pelos consumidores.

    Ocorre que a nova embalagem do produto não trazia quase nenhum traço de familiaridade com a embalagem antiga, seja em termos de cores ou dos seus elementos gráficos, em que pesem os resultados favoráveis apurados com a neurociência.

    Ou seja, apesar de todos os aspectos positivos da nova embalagem constatados com os testes realizados, não mais existia uma associação do produto já conhecido pelos seus consumidores à nova embalagem agora apresentada nas gôndolas.

    Boa parte dos consumidores saía dos supermercados com a impressão do produto não estar disponível nas prateleiras, sem se dar ao trabalho de realizar uma busca mais minuciosa, quiçá pela falta de tempo, pela pressão das crianças, pela pressa em concluir a atividade, etc.

    Consequentemente, ao não encontrar o que ‘procuravam’, os consumidores acabavam escolhendo um produto ‘similar’, de um outro concorrente, também posicionado nas gôndolas, como todos os demais players da categoria.

    A solução

    Com a identificação do problema no ponto de venda, o fabricante voltou a reavaliar as opções de embalagens existentes e optou por uma que, apesar de não haver merecido as melhores avaliações nos testes da neurociência, ainda mantinha maiores traços que possibilitavam ao consumidor a associação com a marca anterior.

    Feito isso, as vendas do chá retomaram aos níveis esperados e recuperaram o share que havia sido perdido para a concorrência.

    A mensagem que fica, de forma alguma se constitui em uma condenação da neurociência ou das suas técnicas, mas sim sobre a necessidade de se considerar também o neuromarketing e as implicações decorrentes.

    A complementariedade que técnicas convencionais da pesquisa de mercado e de opinião, como ‘etnografia’, ‘entrevistas em profundidade’ ou mesmo ‘clínicas de produtos’ não devem ser esquecidas e ainda têm um papel importante nessas análises.

     

    Maiores informações:           Kochstrasse – Agentur fuer Marken

    NMSBA – Neuromarketing Science & Business Association

    Fórum Mundial – Londres – março 2017